por Felipe Sentelhas
ao futuro
Ao ser pedido para olhar para o futuro e preparar, em linhas, palavras, sons e imagens uma máquina que pudesse me levar até ele eu não pude ter outra reação senão olhar para o outro lado, o passado.
Muitos diriam que eu posso estar errado nesse movimento de cabeça e foco do olhar, mas tenho do meu lado inúmeros gurus da tecnologia, dos costumes e da moda que não me deixam enganar ao dizerem que o passado volta. Tantas vezes que nos vestimos como nas décadas de sessenta, setenta, oitenta e noventa, tantos filmes que contam histórias de personagens promíscuos, tantas músicas que se repetem nas influências de décadas.
Essa máquina pode muito bem me levar a repetir infinitamente algo do passado, sem nunca ter andado para trás.
Mas fica claro esse futuro preso nos costumes de antes, é fruto de homens e mulheres que não querem olhar para a única e verdadeira coisa que é o futuro, escuridão, amorfa e caótica.
É preferível dar forma e iluminá-lo com as coisas claras e belas do passado, numa esperança terrível de mansidão e tranquilidade, até que uma pedra nesse caminho nos faça tropeçar e quebrar tudo isso que carregávamos. Assim, seremos obrigados, como tantas vezes na história a acostumar os olhos e enlouquecer um pouco mais com o inesperado que nos aguarda.
Tudo o que mais quero é que a máquina me traga a essa pedra, mas ela é importante demais para ser prevista.
| Imprimir artigo | Este artigo foi escrito por nerdim em 07/05/2010 às 01:10, e está arquivado em Rascunhos. Siga quaisquer respostas a este artigo através do RSS 2.0. Você pode deixar uma resposta ou fazer um trackback do seu próprio site. |